
Droga. Droga. Para de chorar. Para de ser idiota. Se controla. Pensava enquanto a lágrima descia lentamente, seguida por outras. Fechava os olhos na expectativa de barrar o caminho de novas gotas, mas apenas piorava a situação. Soluçava desculpas. Balbuciava preces. Sussurrava arrependimentos. Sempre no escuro. No canto. Escondida debaixo da falsa dor de cabeça. Do sono. Das suas mentiras ridículas. Apoiava a cabeça contra a parede. Focava no teto. Mãos precionando as têmporas. Juba solta, rebelde. Desordenada. Assim como a mente. Ei, para. Sorri, sua tonta. Tu não é a única. Seja forte. Tentativas frustradas. Pensamentos soltos. Cadê a força para juntar todos os pedaços e recomeçar? Ela é inexistente de tão gasta. A menina dos cabelos de chocolate finalmente se deu por vencida. Depois de tantas lágrimas, decepções. Aguentou muito, mais do que o esperado. Suas são pernas estão fracas demais para levantarem. Seus dedos estão tão trêmulos e sem precisão. Seu cheiro mudou, agora tem uma melancolia impregnada. Está acabada. Sem voltas. Mas sabia que não poderia ficar ali para sempre. Seu organismo, com dificuldade, a forçou a se levantar. Secar as lágrimas e deitar na cama. No seu porto seguro. E, então, sentindo a moleza chegar junto com um frio sobrenatural, fechou os olhos, para sempre.
“ O suicídio não é querer morrer, é querer desaparecer.”
- Georges Perros.
(letmerunaway, falando sobre seus sentimentos como se alguém se importasse.)